#DA FILOSOFIA, O SILÊNCIO DA VOZ# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA



Meu coração sonha, sonha o indizível, sonha os mistérios, sonha o in-audito, sonha o sonho. Turvo clarão de raciocínios tristes por entre sombras me conduz, e a mente, rastejando a verdade, a des-encanta; nem doloroso espírito se ilude, se o que, dormindo, creu, crê, despertando. Até no afortunado a vida é sonho (sonho, que lá no fim se verifica em versos imortais, como o princípio Etéreo, criador, de que emanaram; sinônimos parecem corno e verso, quando em linhas venais esparsas congruências rimam ipseidades). Minh´alma vive esperanças, sente o amor que era longínquo, que era genesis, que era princípio. Invisível ao lince dos olhos, pulsando no mais profundo de mim o imperfeito plen-ificando todas as vacuidades.


A voz do silêncio a-nuncia-me palavras dos sentimentos, semânticas de querências, linguísticas de in-fin-itivos verbos do sublime, metáforas evangelizadas da genesis do infinito; re-vela-me versos do amor, carinho, ternura, trans-cendendo as meras pers-pectivas do cotidiano, sin-estesiando os volos do ser. A voz da esperança ouço-a nos interstícios do silêncio, nos re-cônditos da solidão de con-templar os horizontes longínquos, dizendo-me verbalizar os desejos, vontades. É compor de atitudes e ações presentes o som musical do verbo-[de]-amar, o ritmo poético da sin-estesia-do-divino, a melodia literária do ex-tase das plenítudes. Que versos hão-de ser, ou versos foram, quando o que a Musa quer é só que o sejam do silêncio a filosofia da voz, da voz a filosofia do silêncio, da filosofia o silêncio da voz.


#RIODEJANEIRO#, 12 DE JANEIRO DE 2019#

Comentários

Postagens mais visitadas