GRAÇA FONTIS ESCRITORA POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA COMENTA A PROSA #IRRISÃO DE UMA LAPA INVEROSSÍMIL#
Perfeito...
é um ouvir o próprio lamento, sinais incontroláveis, subjetivados, obstruidos
por sombras da farsa realística encenada com requintes no palco da vida e das
grandes ilusões em que a predominância das contradições impera na abstração de
reais valores ao lícito e correto... o todo é turvo, nebuloso, os atores, um
pragmatismo sem consistência, eis a questão; daí, de por trás das sombras,
resta-nos substanciar o melhor que aprouver! Parabéns caríssimo Escritor!
Graça Fontis
Não há outro
estilo de época mais complexo que o Simbolismo - apresentam-se centenas de
visões, o símbolo é entendido e compreendido aos olhos de cada indivíduo,
multiplicam-se as interpretações. Mais complexo ainda é intuir, perceber,
verbalizar o "símbolo" do escritor, no sentido de captar a sua
mensagem, pois o simbolista joga aos naipes do baralho das metáforas,
metafisica. A dialéctica da obra e a do simbolista seguem jornadeando à busca
da Face do Símbolo, a face sagrada é o outro, a síntese é a chave para abrir a
janela da Alma.
E você,
minha Esposa e Companheira das Artes, Graça Fontis soube com a sua alma
sensível às imagens, aos símbolos e signos da pintura, o seu dom de ler-me
dentro, verbalizar com excelência a mensagem, sendo a chave de sua compreensão
da prosa IRRISÃO DE UMA LAPA INVEROSSÍMIL, "... de por trás das sombras,
resta-nos substanciar o melhor que aprouver."
Esta prosa
nasceu nas lembranças e recordações de minhas visitas ao cemitério, onde
aprecio andar entre as sepulturas, refletindo a eterna dialética EXISTÊNCIA E
MORTE. É re-colhendo e a-colhendo de por trás das sombras as suas luzes e
trevas construindo e instituindo, artificiando o que ao menos justifique e
explica ter existido.
Meus
sinceros cumprimentos por "Verbalizar" esta prosa simbolista com
tanta excelência.
Beijos no
coração!
Manoel
Ferreira Neto
**IRRISÃO DE
UMA LAPA INVEROSSÍMIL**
GRAÇA
FONTIS: PINTURA
Manoel
Ferreira Neto: PROSA
Calo-me.
Suspenso dos sinais que se anunciam para lá da cidade. Horizonte advinhado. Ali
ao pé. Estátuas vestidas de neblina. Sé obtusa. República obnubilada. MASP
efemerizado. Irrisão de uma Lapa inverossímil. Calo-me. Tudo mais é excesso.
Nada mais é paradoxo. Inútil. Cansaço. Insônia. Verdades que explicam. E o
medo. Vem de mais longe que o silêncio. Aí estou. Ouço-me aí. Só se tem medo do
medo.
Línguas
amortalham nuas o sorriso fúlgido a filtrar evidência entre palavras. Escoadas
pelos dedos. Evaporadas (...) asas. Nada. Rebento-me de estafa nesta ascensão
de penitência. Resvalam-se pés no cascalho.
A realidade
sorna incontestavelmente o pequeno mundo. Fora o duplo látego da perdição.
Terra esquecida. Mergulho na memória. Extensão de sangue.
Rebrilho
intenso no intrínseco ganido, atrás das sombras.
#RIODEJANEIRO#,
04 DE JANEIRO DE 2019#



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