GRAÇA FONTIS PINTORA ESCRITORA E CRÍTICA LITERÁRIA ANALISA A PROSA POÉTICA #HOSPÍCIO ESQUISITO#



Estranha e indescritível é a força textual ao distinguir tão quanto a força do personagem que de dentro desse hospício esquisito sente-se inconfundível aos outros semelhantes que de sobressalto, impõe e faz valer o que realmente expressa, e o que é sua existência de triunfos e fracassos dentro de seus movimentos renovadores, vigorosos e convincentes num bafejo ardente da erudição; assim, safando-se dos imprevistos corriqueiros da estética, caminhando nos sofridos contos ilusórios onde se pretende abafar a história do homem, os seus possíveis encontros e desencontros, relações e revelações com seu entorno. Um total domínio da razão e a identificação de seu conhecimento puro, de origem racional, mas sem fugir às hodiernas características humanas, emoção e intuição, no ambíguo adejar noturno pelos cantos da loucura, nada covarde, mas ciente do existir na racionalização fértil nos liames dos mistérios aos absurdos pensamentos no terreno espiritual de maneira complexa e diálogos intermináveis na casa de seu próprio silêncio.


Este certamente é um dos grandes a comporem sua galeria de seus grandes escritos, meu querido escritor. Parabéns!


Graça Fontis


Dialéctica da razão e loucura?! A intenção da composição desta obra fora uma perquirição da ambiguidade razão e loucura, assim a razão e a loucura dialogam, confabulam sobre si mesmas na mente do louco, e as duas se confundem, o que se revela loucura é perfeitamente racional, o que se revela razão é doidamente loucura. O que buscam compreender neste diálogo, confabulação? Desejam compreender a condição humana, sendo apenas ela a semente do conhecimento dos desvarios e devaneios, varrices de pedra e sublimidades. É um "ambíguo" adejar noturno", como você própria o diz, reflexões de um louco na noite de calientes contradições.


Sinceros cumprimentos por esta análise percuciente. Parabéns! Precisa ler DIÁRIO DE UM LOUCO, de Gogol.


Beijos no coração!


**HOSPÍCIO ESQUISITO**
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: PROSA POÉTICA


A noite, inércia ruidosa, cerra as pálpebras com um olhar morto. A interminável madrugada instaura-se - reconheço a sedução do pecado. Por dentro, o câncro da inferença a comer-me. Sentar-me à beira da vida é o suicídio mais covarde por manter a aparência de desejar existir, ser sensível.


Vírgulas esfacelam anéis entre o vento pulando cavalos e o hospício esquisito. Flanco do cinismo. Declarado elmo. Cornos arrastam ligeiras pratas embutidas. Batem loucos os medos mortais ao sido. O relógio, extirpado de soerguer vertigens, cerra murmúrios, encerra silêncios. Agulhas rodopiam escárnios de repulsa. Furtiva lisura do impulso. Fareja o voo nos quatro cantos da loucura..


Devoro a transparência. Cega carnação de corrente inércia. Repuxa-me a intensa rapidez do miserável destino. A perna surda beira os limites do mistério. Deserto assaz exaltado. A vontade des-locada. A admiração recomeça rios abandonados.


Aléias do peito interrompem cordas encarceradas. Concordâncias de sentidos. Ouvidos perpassam sombras. Assombros engendram ecos. Deuses indignados percorrem aparências. Abandonado ao repouso da foice, adormeço serpentes. Trago do abismo correntes atulhadas de mortos.


#RIODEJANEIRO#, 07 DE JANEIRO DE 2019#

Comentários

Postagens mais visitadas