**HOSPÍCIO ESQUISITO** GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA POÉTICA
A noite,
inércia ruidosa, cerra as pálpebras com um olhar morto. A interminável
madrugada instaura-se - reconheço a sedução do pecado. Por dentro, o câncro da inferença
a comer-me. Sentar-me à beira da vida é o suicídio mais covarde por manter a
aparência de desejar existir, ser sensível.
Vírgulas
esfacelam anéis entre o vento pulando cavalos e o hospício esquisito. Flanco do
cinismo. Declarado elmo. Cornos arrastam ligeiras pratas embutidas. Batem
loucos os medos mortais ao sido. O relógio, extirpado de soerguer vertigens,
cerra murmúrios, encerra silêncios. Agulhas rodopiam escárnios de repulsa.
Furtiva lisura do impulso. Fareja o voo nos quatro cantos da loucura..
Devoro a
transparência. Cega carnação de corrente inércia. Repuxa-me a intensa rapidez
do miserável destino. A perna surda beira os limites do mistério. Deserto assaz
exaltado. A vontade des-locada. A admiração recomeça rios abandonados.
Aléias do
peito interrompem cordas encarceradas. Concordâncias de sentidos. Ouvidos
perpassam sombras. Assombros engendram ecos. Deuses indignados percorrem
aparências. Abandonado ao repouso da foice, adormeço serpentes. Trago do abismo
correntes atulhadas de mortos.
#RIODEJANEIRO#,
07 DE JANEIRO DE 2019#



Comentários
Postar um comentário