**IRRISÃO DE UMA LAPA INVEROSSÍMIL** GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA
Calo-me.
Suspenso dos sinais que se anunciam para lá da cidade. Horizonte advinhado. Ali
ao pé. Estátuas vestidas de neblina. Sé obtusa. República obnubilada. MASP
efemerizado. Irrisão de uma Lapa inverossímil. Calo-me. Tudo mais é excesso.
Nada mais é paradoxo. Inútil. Cansaço. Insônia. Verdades que explicam. E o
medo. Vem de mais longe que o silêncio. Aí estou. Ouço-me aí. Só se tem medo do
medo.
Línguas
amortalham nuas o sorriso fúlgido a filtrar evidência entre palavras. Escoadas
pelos dedos. Evaporadas (...) asas. Nada. Rebento-me de estafa nesta ascensão
de penitência. Resvalam-se pés no cascalho.
A realidade
sorna incontestavelmente o pequeno mundo. Fora o duplo látego da perdição.
Terra esquecida. Mergulho na memória. Extensão de sangue.
Rebrilho
intenso no intrínseco ganido, atrás das sombras.
#RIODEJANEIRO#,
04 DE JANEIRO DE 2019#



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