#NOITE DO NÃO-SABER# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA POÉTICA



Ilusões imergem.


Desvario passageiro, entre as mãos, reduzido ao destino que precede mal ao pescoço que o puxa sempre mais para baixo. Esgares sem palavras. Recorrem com um zelo arrebatado a carniça dialética e a vontade dos carrascos.


O eco significa bastante. Indica que a humanidade se renega e os homens não podem sair nem atingir os limites. O sussurro fornica todos os dons para cacarejar liberdades.
Obediência.


Obcecado por virtude mosta, explora os costumes e provérbios. Carinhos disparatados. Ternuras atabalhoadas. Respeito disperso. Espírito distante. Esforço vivo para envolver de dentro as reservas lançadas ao abstrato e à totalidade.


Olho um papel amassado no chão, letras e palavras enrugadas. Estou bem só. Virado para o futuro. Não dou por mim que enxugo mal os sonos no ouvido. Enxergo mal ao longe. Miopia. Marcha infernal. Tripudio sobre a ignorância e a mediocridade.


É possível haver uma síntese entre a nossa consciência única e irredutível e a noite do não saber.


Paradoxo cruel. O que irrompe pelo sono. Ergue a perspectiva sem limite. Declaro-me obstinado contra o verbo. Confesso-me convulsivo com as regências do nada e náusea.
Exijo os soberbos sentidos que fazem da ínclita arma o lançar ao sincero e voluptuoso.


Explicar. Rastejar. Seduzir. Seduzir. Segurar. Nada vivo e úmido. A existência, clímax onde tudo o que existe se processa.


#RIODEJANEIRO#, 09 DE JANEIRO DE 2019#

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