#REMORSO IN-AUDITO# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA



Morre-se, morrendo a morte
Lápides a esmo
Con-figuram silêncios, vazios perpétuos
Cruzes espalhadas ao léu
Re-presentam id-ent-idades esvaecidas,
Lúgubre como um fúnereo enigma
Passa vento do leste, sibilando nas
Densas folhas de Palmeiras,
À medida que vou ziguezagueando mausoléus,
Pensamentos e medos ad-versos
Borbulham-me no peito, no cérebro,
Fervem-me no corpo,
Dias sem crença, serões sem luz...


Tão longos ecos à distância se embaralham,
Confundem-se no âmago de ineludível, indistinta
E profunda un-idade,
Imensa como a escuridão da noite,
Ampla como a claridade,
O túmulo há-de ser confidente, fiel em mim,
O túmulo compreende, entende o poeta,
É-lhe a sabedoria,
É-lhe o saber,
O verme roer-me-á os restos
Como um remorso inaudito.


#RIODEJANEIRO#, 08 DE JANEIRO DE 2019#

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