#SENDAL DA TRISTEZA# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA POÉTICA
O esquadro
dis-farça o eclipse que não desejo enxergar.
Não há
música aparentemente na citara guardada em segredo, só dele sendo retirada em
silêncio, só dedilhada na solidão dos sonhos e quimeras, nos violinos fechados
nada há de enigmas, há magias em caracóis nas cordas. Sono atroz sem devaneios
pairando sob ignotas telas do remorso. Envolto em meu sudário, temendo morrer -
durmo solitário. Ó noites! nem a luz deserta a iluminar este papel vazio de
linhas com seu branco anseio! Cobre-me a fria palidez do rosto o sendal da
tristeza que a desola; chora – o orvalho do pranto perola-me as faces maceradas
de desgosto, ressentimento, mágoa. Fazer qualquer quefazer, e o do ser, com a
incorrupção da reta, dar a tensão ao que se faz da corda de arco e a retensão
da seta.
O mundo
voltou a tornar-se infinito, ou ornar-se de in-finitivos in-finitos?, no
sentido em que não lhe posso recusar a possibilidade de se prestar a uma
in-fin-idade de in-vestig-ações, an-álises, inter-pretações. Há pouco
sobressaltara meu delírio a um cimo fenescido pela neutralidade idêntica do abismo.
Em funda soledade minh’alma se re-colhe tristemente, para iluminar-me a
existência des-contente, a-colhe-se reflexiva para ascender o círio triste da
Saudade, ascender a música suave das quimeras do Encontro.
Talvez não
ser é ser sem que eu seja, sem que vá cortando o meio dia com diamante
transparente, sem que perambule mais tarde pela neblina e pelas sendas da
montanha, perscrutando-lhe as magias, céu claro de estrelas, sem a luz que levo
na mão que, talvez, outros não verão dourada, quiçá ninguém tenha sabido que
crescia como a origem dos sentimentos a envolverem os ideais. Um tédio,
desolado por cruéis silêncios, ainda creio no derradeiro adeus dos lenços. Sei
que cheguei ao pé da montanha, onde a ilha se extingue, deixando-me em solidão
tamanha, e vejo que o ombro do monte aparece vestido já dos raios do planeta
que a toda gente pela estrada guia.
Então a
angústia se cala, secreta, lá no lago do peito onde imerge a noite que orna a
alma inquieta.
#RIODEJANEIRO#,
10 DE JANEIRO DE 2019#


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