#SIRVAM-SE, Ó POETAS, DE UMA GOTÍCULA DE VENENO# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA



Uma ilusão – quimera ou fantasia - só existe em função do que o não é. Ao longe e ao alto é que estou e só daí é que sou. Onde a verdade que me desminta a ilusão de dizer “eu”? Onde não desmentir o "eu" ser a ilusão da verdade? E onde ser a ilusão da verdade desmentindo o "eu"? onde? Onde a verdade que mostra a senda de meu “ser”? Eu - não sou mais eu? Estão diferentes a mão, o andar, o Eis rosto?
E o que eu sou, não sou mais. De que me serve saber uma verdade que não sinta? De que serve saber que noutro comprimento de onda poderia ver os objetos que não vejo, poderia vislumbrar as dimensões que a mim não é dado sabê-las, trans-cendem as dimensões da razão e intelecto do ser de meu saber – uma vez que os não vejo?


Gotícula de veneno
é a divina real-ização da natureza,
é a santificada promessa da liberdade,
fortalece-se e cristaliza-se
com pompas e propriedades
as mais di-versas.
A linguagem do silêncio
povoa-me a liberdade,
à busca de um sentido
O estilo da solidão
re-colhe-me e a-colhe-me
no regaço da alma.


Dormimos o que é Vernáculo.
Outro o altar onde queimo piedoso o meu incenso, sinto próxima a sensação do calor das achas queimando-se na fogueira. Outro o paráclito a que louvar, acendo o fogo na vela, olhá-la derretendo-se ao longo dos segundos. E animado de fogo mais intenso, de fé mais viva, de utopias mais conscientes, vou sacrificar...
E entregue a todos desejos, vontades
Do fogo em remoldar-me... remodelar-me...
Sacrifico idéias, pensamentos
E o sonho,
Inda que, enfim, em toques o construa,
Ouço-o alhures.


#RIODEJANEIRO#, 15 DE JANEIRO DE 2019#

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