ANA JÚLIA MACHADO ESCRITORA POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA RESPONDE AOS ENSAIOS FILOSÓFICOS SOBRE A ARTE POÉTICA E LITERÁRIA
Aninha Júlia, de excelência estes dois poemas que você escreve para responder aos meus Ensaios Filosóficos que venho escrevendo sobre a Arte Poética e Literária. Impressionante como você assimilou com categoria o meu pensamento filosófico, o que para mim é a Arte Poética e Literária. Não se trata de poemas que saíram de dentro dos ensaios, sim de poemas que nasceram deles e de sua sensibilidade poética e literária. Então, estes dois versos "Nas minhas poesias existe uma vozearia/que aflui da alma...tão consternada"(COR DOS MEUS POEMAS), "Redijo porque tudo em mim é inspiração/Este é meu modo de enlaçar o sem-fim"(MODO DE ENLAÇAR O SEM FIM", assim nasce o fazer poético, literário, a verdade da poetisa/escritora é a origem de suas utopias do Belo e da Estética, a busca do Espírito da Vida.
E você, genialmente, nestes anos de nossa parceria intelectual compreendeu o meu pensamento e a cada verso, prosa, críticas tece com primor os seus Caminhos do Campo com a própria vida e seus desejos, utopias.
Gracias muchas, minha querida e inestimável Amiga, por enriquecer tanto a minha obra, enriquecer tanto o "fazer poético". A Discípula a cada obra supera e suprassume o Mestre.
Beijos nossos no coração!
Manoel Ferreira Neto
COR DOS MEUS POEMAS
Da tonalidade dos meus poemas é a minha
seiva preta como a opacidade
Que incendeia-me como brasa., que retalha-me
a polpa em úlcera
Essa espada com que rabisco, adelgaçada e enregelada
como o fenecimento
Neste golpe tão violento...divulgado em cada verbo sem fervor
Nas minhas poesias existe uma voracidade de existência,
uma míngua do eterno
Uma angústia de perpetuidade, como estilhaço
de mutismo que açoita-me
Nesta contusão mouca com que anavalhei a realidade
com que frustro
Neste semblante que se enroupou de borralhas,
neste bem-querer que sabe a travo
Nas minhas poesias existe uma vozearia
que aflui da alma...tão consternada
Como quem redige no seixo forte, como quem fenece em fútil
Como quem invoca por mim, dispondo dos verbos um plangor
Quando no alvo da página, gero a minha tristeza em súplica
Nos meus poemas existe um verbo incontestável
verbo querença
Que pretendia consolar nos meus tentáculos e arquivar na minha alma
Mas existe um local brumoso onde somente perdura a expressão sofrimento
Que solfejo nos meus poemas, como um toldado
bem-querer irrepreensível
Nos meus poemas retine alma súplica de mutismo,
num aulido silente
Procedente do violento da idade, vertendo-me da garra em esmorecimento
Nos poemas amargurados e angustiados, que, suavemente berro ao planeta
Feridas que vou rabiscando na página que se trajou de pardacento
Existe nos meus cantos repulsas recitativas, deleites açaimados
Lares de placitude na negrura funesta onde me coloco
e narcotizo
Concebendo que sou catraia e as minhas quimeras
não foram faccionadas
Pela espada com que me rabisco na página cã onde consterno
Ana Júlia Machado
MODO DE ENLAÇAR O SEM FIM
Trovo escassamente a sensação da alma
E todos os verbos enclausurados ou acautelados
Detonam num ápice de númen
Tal-qualmente desabrocha o meu poema
Em uma alma que pensa na quimera
E entoa em poemas a cada alucinação
Sou um mesclado de sensações armazenadas
Careço de extensão para me exaurir
E em poemas me componho, para me aliviar
Redijo porque tudo em mim é inspiração
Este é meu modo de enlaçar o sem-fim
Mesmo se tudo alvitra desperdiçar a fascinação
Ana Júlia Machado
#RIODEJANEIRO#. 22 DE OUTUBRO DE 2018)



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