POR GLÓRIA INFLAMA# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA
Ó versos
cambaios e coxos! Ó versos! Prosa de toda a gente, e versos de quem perdido
está na in-cor-respondência, dor de amor "Vem me amar"!
Ó sombra
robusta que se despreende e avança, meus olhos são miúdos para enxergar à
distância as ondas do mar, os rios desconexos, fita o espelho e se despetalará
no céu de outono.
Fora!
Benzo-me, persigno-me, renuncio o apertar de mãos! Antes um corno pelos peitos
dentro, que um verso romântico pelos ouvidos. Bem que, perscrutados de atenção
ínfima, sinónimos parecem corno e verso, rimas parecem náuseas e estrofes,
quando em linhas venais tenta id, ego. Ou quando sensabor, ou quando insano,
louvar de graça e por glória inflama.
Fala:
"O amor salva o mundo." Envereda-se por todos os mata-burros à busca
de conceituá-lo, defini-lo, com que palavras fúteis, com que emoções medíocres,
e com que milagre, se o amor é o que não é nas linhas tortas de sentimentos
oblíquos?! Jamais se envileceram versos tantos, e tantos paupérrimos sons de
solidão, de dor, de sofrimento, de agonia.
O caos
esplendera a todos os horizonte, abismara-se o globo com tantos uivos, com
tantas ruminâncias, com tantos gemidos
de amor.
A humanidade
agoniza de sofrimento com a modernidade dos versos medíocres de amor.
(**RIO DE
JANEIRO**, 10 DE OUTUBRO DE 2018)



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